domingo, 5 de junho de 2011

O II Crime do Big Ben

Estou a passear pela cidade de Londres, perto de uma antiga esquadra da polícia, e vou ter com o meu irmão, que se encontra na escola, para irmos juntos ver a campa do nosso pai. Vivi em Veneza até fazer dezoito anos. A minha mãe morreu um ano depois do nascimento do meu irmão. Quando eu tinha dezasseis anos, fui pesquisar na Internet do computador portátil do meu pai, e encontro um ficheiro do Word com o título de O Crime do Big Ben. Decidi abrir o documento e acabei por o ler todo. Achei aquilo uma história completamente inventada pelo meu pai, mas quando lhe fui perguntar, ele explica-me toda a história, por palavras dele e então, entendi, que ele teria vivido um grande Amor. Quando eu tinha dezoito anos, o meu pai tinha o desejo de voltar a ver a sua terra natal pelo menos uma vez antes de morrer, Londres. Assim foi, e este acaba por falecer apenas dois anos depois da chegada a Londres.
Chego à escola e vejo o meu irmão à minha espera no portão, com um chupa-chups na boca e com apenas treze anos. Já estávamos a viver à um ano em Inglaterra depois da morte do meu pai, tendo eu vinte e um anos. Pelo caminho:
-Mano...nunca mais chegamos? Já me doem os pés de tanto andar.
-Já falta pouco, é ali ao virar da esquina. - Respondo-lhe eu - Mas tu é que quiseste vir visitar a campa do pai.
-Eu sei, mas nunca pensei que fosse tão longe.
Decidi, em memória das suas aventuras, enterrá-lo perto do objecto que gerou toda a sua história.
Chegámos então ao cemitério perto do Big Ben, onde também estava enterrada Lady Oska, o filho mais novo desta e o chefe da polícia da esquadra que passara antes de ir ter com o meu irmão.
Enquanto nos encontrávamos dentro do cemitério, depois de ver-mos a campa do nosso pai, veio uma pessoa ter comigo e tocou-me nas costas.
-Boa tarde senhor – diz-me uma bela senhora – Queria dar-lhe os meus pesamos.
-Muito obrigado – Olhei-a de cima a baixo e de baixo a cima e achei-a maravilhosa – Posso perguntar como se chama?
-(A rir-se)Pode sim senhor!
-Como se chama, então, minha senhora?
-Menina por favor, não senhora – responde-me ela – E chamo-me Anna.
-Muito prazer.
-Igualmente.
Depois de uns momentos de ilusão prematura, o meu irmão chama-me e, eu então acordo.
-Peço imensa desculpa mas temos que nos ir embora – diz o meu irmão todo emproado.
-Muito bem, eu não vos incomodo mais.
Quando íamos para chegar a casa, vejo uma velhota a passar e a dizer que iria chegar uma enorme tempestade, dali a uma semana e que, até o próprio Big Ben, ficaria todo inundado, ficando apenas os ponteiros a ver-se. Eu não acreditei naquelas palavras, e continuei a abrir a porta de casa, onde acabo por tropeçar. Estava a ver televisão, por volta das dez horas e trinta e dois minutos, quando oiço um enorme barulho na cozinha, e fui lá dar uma espreitadela. Para espanto meu, encontro um prato partido e o meu irmão a chorar.
-Eu não te disse que quando quisesses comer, para me dizeres?
-Sim – diz-me ele – mas estavas tão entretido a ver televisão.
Ele acabou por comer e foi-se deitar.
Na manhã seguinte, quando estava a lavar os dentes, para ir levar o meu irmão à escola, vejo um clarão do outro lado da janela, espreito, mas nada vejo. Deixei o meu irmão na escola e, quando ía para o meu trabalho, vejo novamente a senhora idosa, com os seus botins rotos e com um avental de veludo todo negro de foligem. Esta mulher levava, atrás de si, um carrinho-de-mão cheio de espanta espíritos e a segui-la encontrava-se um gato preto. Quando passo por um semáfro, cujo sinal se encontrava verde, decidi passar. Mesmo no meio da passadeira passa um carro a alta velocidade, o condutor parecia maluco e eu quase que ía morrendo. Por volta das quatro horas da tarde, estava eu a sair dos CORREIOS DA SILVA, onde trabalho, e como o meu irmão tinha uma visita de estudo ao London Eye naquele dia, eu fui ler novamente o Crime do Big Ben do meu pai, para a biblioteca municipal. Leiria, Morimbuku, França, … «Será que existia alguma espécie de codificação das terras onde foram cometidos os crimes?», mermurei silenciosamente. Quando saí da biblioteca, olho em frente e, para meu espanto, vejo novamente a senhora a passar, mas desta vez apenas trazia o gato negro como o carvão e um espanta espíritos. Não liguei e fui andando. Fui, mas desta vez sem o meu irmão saber, ao cemitério perto do Big Ben. De certo modo eu queria ajudar o meu pai a desvendar o crime mas não sabia como o fazer. Quando estava a sair vejo novamente a Anna, mas não parecia nada estar a fazer luto por ninguém. Sem ninguém me ver, seguí-a, apenas para ver quem era a pessoa falecida felicitada com aquela visita. Para meu espanto é Lady Oska.
-Olá Anna.
-Olá, – responde ela com uma voz rouca – veio visitar o seu pai novamente?
-Vim sim, será que conheço o seu pai?
-O meu pai é  um homem de negócios, e filho da senhora que está aqui enterrada e que não conheci.
-É o Ruppert Oska?
-É sim senhor. – responde-me ela muito delicadamente – Aqui ao lado está também um tio que não conheci, Bob Oska.
-Posso convidá-la para jantar logo à noite?
-Pode e, eu aceito o convite com muito gosto.
Após um conversa agradável, ausentei-me para casa, ficando Anna Oska no cemitério. Não parecia estar de luto graças ao seu vestido encarnado, sapato de salto alto bico de prego e batõn castanho.
Pedi a uma vizinha nossa, se não se importava de tomar conta do meu irmão, que eu iria fazer umas pequenas obras, uma mentirinha não fazia mal nenhum, ao que ela concordou em aturar o pirralho.
Eram dez horas da noite quando o Big Ben toca, mas não se via sinal d’Anna. As horas iam passando e eu ia ficando cada vez mais preocupado, porque ela tinha aceitado o convite, mas ainda não tinha aparecido e, a hora combinada era ás nove horas perto da minha casa. Era meia-noite e como ainda não tinha aparecido, decidi ir-me deitar e deixar o meu irmão a dormitar na casa da vizinha Jenovéva.
O despertador toca, acordo como faço todos os dias para ir levar o meu irmão à escola e trabalhar, mas tivera um autêntico pesadelo. Sonhara que era o meu pai e que estivera a viver a sua história passada, e que fora exatamente como estava transcrito no portátil dele. Saí de casa sem tomar o pequeno almoço, para levar o meu irmão à escola, mas quando acabo de descer as escadas, já fora de casa, dá-me uma enorme dor no peito e acabo por desmaiar. Quando acordo, encontro-me no hospital, tal e qual como o meu cota, ao lado de duas camas vazias.
-Então como se sente? – pergunta-me um homem muito estranho, com a barba por fazer e com uma gabardina muito suja.
-Eu já me sinto muito melhor, mas quem é o senhor?
-Isso agora não interessa...o que interessa é que o senhor se encontra bem – responde-me o bizarro sujeito – Eu não devia dizer isto mas,..., ainda bem que não lhe aconteceu nada de grave, é que o senhor vai ter um papel muito grande no desenrolar desta história toda.
-O quê?
E pestaneijo os olhos, e quando os abro o misterioso homem tinha desaparecido. Bateram à porta e entrou um outro homem, mas este com uma bata branca, era o senhor doutor.
-O que é que eu tenho, senhor doutor?
-Para dizer a verdade, preciso que me responda a uma pergunta – diz-me ele com uma cara medonha – o senhor tomou drogas recentemente?
-Depende.
-Depende do quê? Ou é sim ou é não.
-Depende sim, se forem drogas ilícitas, não; se forem drogas lícitas, como os medicamentos sim.
-Não!, então lá se vai a nossa teoria – murmura muito baixo o médico – Para ser sincero, não sabemos o que lhe aconteceu.
-E quando é que tenho alta?
-Hoje mesmo.
Assim foi, saí daquele hospital e dirigi-me de imediato para casa da Jenovéva. Ela dissera-me que o meu irmão já estava na escola e que estava bem.
-Mas quanto tempo estive eu naquele maldito hospital, D.ª Jenovéva?
-Eu estou a vê-lo agora por isso, uma semana.
Eu fiquei pasmado quando esta impecável senhora me afirma que eu estivera uma semana inteira, exatamente sete dias inconsciente.
-Ah, é verdade – diz-me a senhora – veio aqui uma menina tocar à sua campainha e eu disse que não estava, que tinha saído em negócios e ela pediu-me para lhe dar isto.
-Fez muito bem, obrigado. Importava-se de me ir buscar o meu irmão à escola?
E nem deixei a dona responder saí logo daquele bairro. O papel dizia simplesmente para nos encontrar no Big Ben todos os dias à hora do chá. Quando lá cheguei ás cinco da tarde, lá estava ela a olhar para os ponteiros do relógio, certamente para ver que horas eram. Tapei-lhe os olhos e ela muito assustada dá-me uma estalada, mas quando vê, com olhos de ver quem era a personagem que lhe tapara os olhos, muito envergonhada:
-Peço desculpa.
-Não estava à espera desta, mas está desculpada.
-A sério?
-Sim, sim. – repondo-lhe a coçar a bochecha – Já agora posso saber porque não foi jantar lá a minha casa ontem, quer dizer à uma semana?
-É que eu li o meu horóscopo – dizi-a ela muito elegante – e dizia para não sair de casa nessa noite.
-É assim tão supersticiosa?
-Sou sim tem alguma coisa contra?
-Eu não, acha que tenho?
-Sabe o que dezia o meu horóscopo hoje de manhã?
-Eu não, nem sequer sei qual é o seu signo.
-Dizia que eu hoje ía encontrar o meu Amor e que não devia de o deixar escapar por entre os dedos.
-E quem é o felizardo?
Quando acabo de dizer isto, começo a sentir um doçura nos lábios, como uma doce romã a passar o seu belo suco pelos meus lábios. Quando abro os olhos novamente, vejo que a Anna me estava a beijar. Fechei os olhos novamente e deixei que aquele beijo acaba-se por ele próprio. Estivémos lá até às seis horas. A essa hora o telemóvel dela começa a tocar e ela diz-me que tem que ir trabalhar, mas que esperava encontrar-me outra vez. Fiquei loucamente apaixonado e oiço dizer assim, o Amor está no ar, olho para tráz e vejo o meu irmão com a mochila no chão com um jornal e um livro lá dentro e ele veio logo dár-me um grande abraço.
-Que jornal é esse que trazes na mochila?
-Deram-no lá na escola, acho que é de à alguns anos, acho que são vinte e uns pauzinhos.
-Emprestas-mo para ler na ceia de logo à noite?
-Claro que sim – muito contente comigo ali – O meu mano está de volta!
Já em casa, onde o meu irmão já dormia, no sofá, estava eu sentado na cadeira da cozinha, a ler a relíquia de jornal quando, para espanto meu, vejo Lady Oska é encontrada morte no chão do Big Ben, como título do artigo da primeira página. Leio todo o artigo e mesmo no final estava a descrição da tampa de esgoto de que o meu pai tinha descoberto. «Este artigo é certamente não a página principal de um jornal, mas sim um artigo interno e, o começo de uma aventura com mais de vinte anos.» murmurei enquanto bebia um copo de leite. Fui-me logo deitar.
Esta noite fora a pior da minha vida, o pesadelo fora pior que o da à uma semana. Estava sentado numa cadeira de praia e de repente teria vindo uma sereia, muito parecida com a Anna, que me chamou para ir dar um voltinha com ela ao mar e conhecer o seu reino de Marinázia. Fui mas o pior deste sonho que parecia um verdadeiro conto de fadas foi que esta sereia não era nada parecida com Anna, psicológicamente. Não senhor, esta Anna tinha um marido, sete mordomos, que ao mesmo tempo eram amantes, e perguntou-me se queria substituir o Jacinto, que era o mais velho dos sete. Antes de saber esta história eu aceitei e ela, apenas com duas palavras, disse muito rapidamente LEVEM-NO, MATEM-NO. Esta Anna para substituir um mordomo fez com que o que já não a satisfazia, fosse morto. Isto foi acontecendo com os outro seis e, quando eu estava no meio de algo muito privado com a noiva do antigo mordomo, quando ela me chama e me diz que fui substituido por um tal de Saebastião. E ela disse-me as mesmas palavras que disse ao mordomo que eu substiui LEVEM-NO, MATEM-NO. Cinco minutos depois, estava eu com a cabeça entre um enorme pedaço de madeiro e, estava um carrasco, que substititui outro, para me decapitar com uma enorme espada. Zás, este sujeito abanou a espada, eu senti-a a passar pelo meu corpo, e nesse preciso momento acordo com muitos suores frios desta morte sonhadora.
Era muito cedo quando acordei, e o meu irmão ainda estava a dormir, por isso decidi ir à janela do meu quarto e espreitar as nuvens, mas não havia essas coisas brancas de algodão, apenas o simétrico do mar, o lido céu azul. Oiço uma discussão, olho para baixo e vejo e D.ª Jenovéva e discutir com o carteiro Justin, o meu colega de trabalho. Ri-me e ele olha para cima e vê-me.
-Não tens vergonha de andar a ver as discussões dos outros?
-Estás muito bem disposto tu Justin, correu-te mal a noite foi?
-Achas...isso é uma das coisas que me corre sempre melhor – diz ele muito contente – E depois, não tens nada a ver com a minha vida. Já agora tens uma carta muito esquesita dentro da tua caixa do correio, já la tava não fui eu que a pûs lá.
-OK, obrigado pela informação.
Desci e fui buscar as cartas todas, mais umas revistas que se encontravam lá dentro. A carta esquisita era da Anna. Abri-a e tinha um simples e rasgado papel, mas com algo lá escrito. Abro e vejo esta palavra, com letras bem grandes e com uma letra maravilhosa, ADEUS. Eu levei o meu irmão à escola e depois, quando cheguei ao trabalho, liguei para a Anna. Ela tinha-me deixado o número de telemóvel dela na folha que a D.ª Jenovéva me tinha dado.
-Estou, Anna foste mesmo tu que me mandaste a carta com o ADEUS lá escrito?
-Fui mesmo eu, preciso que te afastes de mim – disse ela com um choro de levedura.
-Mas porquê, até foste tu que começaste a nossa relação, lembraste?
-Como é que eu poderia esquecer, mas preciso de me ir embora, e preciso que me esqueças, a sério eu nunca existi para ti ouviste bem.
-Mas,...
Desligou o telefone e não consegui perceber onde estava, mas utilizei uma ferramenta que os carteiros têm par detectar se a morada dos telefones é a mesma. Usei essa máquina e deu-me uma morada, o que achei ser impossível existir auele local. Mas se estava marcado é porque existia, Marinázia. Fui logo à internet e procurei essa terra no mapa-mundi. Quando vi onde se localizava, fiquei logo com uma ideia. «Marinázia é o local da codificação dos lugares em que o meu pai andara», percebi eu. Comprei logo um bilhete de avião para a terra mais próxima, Veneza.
A minha principal preocupação era encontrar a Anna, pois o meu irmão ficou com a Dª Jenovéva. Aluguei um quarto lá, num hotelzito de duas estrelas, para mesmo que não a encontra-se, para apreciar as vistas. A menina da recepção chamava-se Saraa, piscou-me o olho, mas não liguei e fui para o quarto número 327. Eu cheguei era de noite, por isso quando cheguei ao quarto despi-me logo para vestir o pijama, o que acabei por não vestir, apenas dormi de boxers, com tanto calor que estava. Estava a começar a puxar os lençois, para me deitar, oiço bater à porta. Abro e vejo a Saraa.
-Boa noite.
-Boa noite, o que faz aqui?
-Eu vim lhe fazer uma limpeza ao quarto – responde-me ela a começar a despir a farda e a amandá-la para cima dum cadeirão.
-Mas eu não pedi nada. Eu ía-me mesmo deitar, não perciso de nada agora.
-Ía-se deitar, hem. Eu ajudo-o.
Depois desta conversa ela atira-se a mim com uma rapidez que eu nem consigo resistir, ela como tinha fechado e porta à chave, eu entraguei-me áquela relação que não ía demorar muito a acabar, deixendo-me levar para os seus braços. Depois de uma posição tradicional, experimentámos uma de pé, em que ela estava com os seios na minha boca, a acariciá-la e enquanto “a parte de baixo” fazia o seu trabalho. Fora tanto prazer junto, que continuá-mos até mais ou menos às cinco da manhã; tinha-mos começado ás nove da noite. Depois da última vez, para terminar este encontro tão solitário, acabámos por fazer como se diz o “69”.
De manhã acordei e, ela já não estava lá, tinha-se despedido do hotel. «Então por isso é que ela veio ter comigo, para comemorar a despedida do hotel», ri-me eu. Depois fui até à costa, para apanhar o barco para ir para o alto mar. Depois de navegar um pouco, estava lá mesmo uma ilha cheia de rochas, que possívelmente seria Marinázia. Mal atraquei o barco, a terra começou a tremer, como se se fosse desmoronar, como um puzzle. Quanto mais penetrava naquela estranha ilha, nunca vista antes, cheia de calhaus e com uma fantástica vegetação, o tremores ficavam cada vez maiores. Parecia impossível, mas quando olhei para cima vi uma pequena ave a vir ter comigo, amarelo, com o bico como o de um papagaio. Esta ave puchou-me a camisa e depois começou a voar numa direcção, decidi segui-lo.
Algumas montanhas depois, e rochas, muitas rochas também, já tinha anoitecido, e o pássaro ainda continuava a voar. E assim foi até o nascer-do-sol. Finalmente o papagaio parou em frente de uma enorme cascata, em cima de uma grande rocha. Essa rocha, com o bater do sol, começava a mudar de cor e a ficar da cor do ouro. O papagaio retornava a bater as asas rumo à cascata e, entrou. Segui-o e, atrás da cascata estava uma enorme gruta. Continuei a andar até chegar à saída da caverna. Era tanta claridade que era quase impossível ver alguma coisa. Quando consegui abrir os olhos, vejo muitas pirâmides, mas estas construídas por blocos de ouro e não pedra. «El Dorado, o mundo de ouro», cheguei a essa conclusão. Estava a passear quando uns guardas me apontam umas lanças, e fui levado para a masmorra. Após muito tempo de espera, oiço uma voz doce, de mulher a entrar pela masmorra dentro. Chega ao pé de mim uma figura com uma gabardine e quando a tira:
-À algum tempo que não nos vemos...
-Mas... – fiquei surpreso de a ver ali, com brincos de ouro e tudo mais – Anna.
-O que vieste aqui fazer?
-Isso pergunto-te eu. Eu vim atrás do meu grande Amor.
-Pois, mas o teu grande amor de momento está ocupado.
-Não percebi essa.
-Depois explico, vamos lá tirar-te daqui.
Então ela, muito gentilmente, pediu ao guarda para abrir a cela, porque aquele sujeito era o seu fiel criado. Levou-me para o seu quarto, no topo de uma daquelas pirâmides, cheias de escadas, também em ouro.
-Estou muito cansado, também depois de subir tantas escadas.
-Eu vim para aqui, para fazer uma coisa num sítio – começa ela a explicar – mas depois tropeço a aparece um destes guardas que me leva ao posto médico, e etão foi dizer a toda a gente que encontrou a sua rainha.
-Mas tu não és rainha deles, ou és?
-Que eu saiba não, mas eles pensão que sim e não me deixam sair daqui.
-Então vamos fazer assim, deixa-me aqui passar uma noite, é que não durmo desde que cheguei aqui a Marinázia. Qunado cheguei isto começou a tremer tudo e depois chegou um papagaio...
-Já está a começar – murmura ela – bem, olha que temos de sair o mais depressa possível, não te posso dizer porquê, mas o mais depressa possível.
«Os tremores de terra terão alguma coisa a ver com a vinda da Anna aqui?», questionei-me.
Na manhã seguinte quando acordei e fui à janela, vi aquele paraíso de ouro, e também vi a Anna a falar com o chefe de El Dorado. Tivemos a aldeia inteira a dizer adeus à sua princesa. Quando saímos da caverna da cascata:
-Quando disser, qu vais correr sem parar até ao barco, está bem?
-Está bem mas porquê?
-Agora – disse ela ao mesmo tempo que os tremores de terra retornão à sua posse de terreno.
Corremos o mais depressa que podé-mos até ao barco. Eu estava de rasto, Anna também, mas mesmo assim ela virou as chaves do barco e tirou-nos dali num ápice. Olho para tráz e vejo a Marinázia a desmoronar-se e a esconder-se para dentro do Oceano Pacífico. Achei aquilo muito estranho, mas quando eu lhe ía perguntar o que se tinha passado, ela vira-se e choca os seus lábios com os meus, formando um beijo interminávelmente belo. Chegámos a Veneza, comprá-mos dois bilhetes e regressámos a Londres.
Quando chegá-mos a Londres estava um todas as pessoas a correr de um lado para o outro, para comprar bilhetes de avião, de barco, parecia um pandemónio. Quando saímos do aeroporto, estava um jornal caído no chão. Peguei nele e li apena o título: Dilúvio do Diábo. Fui logo chamarum táxi e pedir para me levar a casa. No fim de chegar a casa, a pé, porque já não havia nem táxis, nem autocarros, fui logo ter a casa da D.ª Jenovéva. Ela estava mesmo a sair, com as malas dela e do meu irmão.
-Para onde vão?
-Não chei – responde-me ela com a sua voz idosa.
-Vamos fugir daqui, não ouviste as notícias? – disse o meu irmão com o seu ar de importante
-Li num jornal. Eu já telefonei à tia que vive numa das ilhas da Madeira, em Portugal, voçês vão para lá os dois, está bem?
-chim chenhor.
Eles foram para o Aeroporto e quando olho para tráz à procura da Anna, tinha desaparecido. «Deve ter fugido com eles todos», pensei eu.
Nesse momento, lembrei-me da velha que tinha dito que iria existir um dilúvio e que iria até chegar ao Big Ben. Decidi então procurá-la por todo Londres, enquanto não começava aquele INFERNO AQUÁTICO. Já estava farto de estar à sua procura, quando me tocam nas costas, eu assusto-me e dou um pulo para a frente, virando-me.
-Olá – diz-me um sujeito com a voz muito roca.
-Eu lembro-me de si, – Fez-se luz na minha cabeça – é o senhor que me disse no Hospital que eu iria ter um papel muito importante, mas porquê?
-Já não falta muito para saber o porquê.
-Não percebi o que quis dizer.
-Não interessa – responde-me ele com a gabardina ainda mais suja, com a barba ainda maior e com os olhos cada vez mais castanhos – a pessoa que procura encontra-se em três localidade ao mesmo tempo. Não pergunte nada, apenas oiça. Lembre-se dos sítios que esteve desde o início que chegou a Londres com o seu pai e com o seu irmão, lembre-se também do local onde arranjou o seu primeiro emprego e do sítio que o seu pai tanto tentou descobrir.
O homem disse aquilo e desapereceu, num abrir e fechar de olhos. «Se fizer tudo como ele disse, vou encontrar a pessoa que procuro, que está em três sítios diferentes ao mesmo tempo. Como é isto possível?», afirmei e questionei-me a mim.
Primeiro precisava de ir onde o meu pai, eu e o meu irmão chegá-mos depois de sair do Aeroporto, o que fora a biblioteca. Quando cheguei, a porta estava fechada, mas veio um vento muito alegre e perfumado de um jornal que estava no chão, com uma fotografia de uma pessoa que não conhecia, Uma desagradável morte, era o título.
Segundo fui aos CORREIOS DA SILVA, ao meu primeiro emprego. Mas quando lá chego, lembro-me que o meu primeiro emprego fora no supermecado APPLE. Quando lá cheguei, estava um porta aberta, entrei e procurei essa pessoa. Já estava de saída, quando olho para o local, perto da caixa, onde se encontravam os jornais e vejo a mesma fotografia, mas com um título diferente, Crime Oposto.
Por último, mas não por fim, o mais difícil fora encontrar o local que o meu pai tanto tentou descobrir. Quando comecei a pensar, começa a chover e a trovejar, não tinha muito tempo. Lembrei-me de todos os sítios que ele escreveu no seo computador portátil, mas nenhum fazia sentido ali, em Londres. De repente, lembo-me da esquadra da polícia onde o meu pai fora pedir informações logo no princípio, sobre a Lady Oska. Quando lá cheguei estava lá um outro jornal no chão. Mesma fotografia e outro título, Crime no relógio sempre correcto.
Então, depois de estarem todos os jornais encharcádos, cheguei à conclusão de que a fotografia era da Lady Oska. Estava a dirigir-me ao local da sua morte, quando a água começa a subir rápidamente. Por umas escadas qua vejo, subo ao telhado e vou a saltar de telhado em telhado para o Big Ben. Qnado lá chego, estava como a senhora dos espanta-espíritos tinha dito, tudo cheio de água, menos os ponteiros do Big Ben. Quando olho para cima do relógio, vejo um grande relâmpago em direcção de uma pessoa que estava lá em cima. Quando pude olhar com mais cuidado, vejo a Anna com um brilho azul à sua volta e ela estava em forma de cruz. Então o Big Ben começa a tocar, dando as três horas, a água parou de subir, mas continuou a chover.
-Quem és tu?
-Eu sou uma pessoa muito injustiçada.
-Eu sei que não és a Anna.
-Ninguém disse o contrário. Eu estou dentro do corpo desta rapariga, para acabar com quem acabou com a minha vida.
-Eu sei quem tu és. Tu és a Lady Oska.
-Como descobriste?, isso agora não interessa. Vou destruir o mundo, até encontrar quem me matou e saber porquê.
-Eu sei quem te matou e o porquê.
-Como é que tu sabes, se nem sequer os polícias, nem o teu pai descobriram?
-Quem te matou não o queria fazer mas, matou-te na mesma por causa do dinheiro do teu filho.
-Ele não tem culpa. Mas quem me matou?
-O meu pai apaixonou-se, e no fim de tudo ele nunca chegou a esta conclusão. Quem te matou, não foi o “Guarda Direito” como ele dizia.
-Deixa-te dessas merdas e conta-me quem me matou.
-Quem te matou, foi o próprio Big Ben.
-Tás a gozar né?
-Não, nunca falei tão a sério na minha vida. O meu pai descobriu metade e eu outra metade. Esse “Guarda Direito” estava a ser controlado pelo próprio Big Ben. Tu prometeste que darias todo o teu dinheiro ao Big Ben se morresses um dia e ele pimba, matou-te. Com tantas promessas que lhe fizeste, ele acabou por ganhar uma consciência e por ganhar uma fome do dinheiro.
Nesse momento, ao lado dela, aparecem a Velha do Espanta-espíritos e o Homem da Gabardina suja.
-Esses dois ajudaram-me a perceber tudo, sabes é que eles também não são pessoas, a Velha é Romância e o Homem é o guarda esquerdo.
-Não pode ser verdade, estás a gozar não?
-Se eu estiver a mentir, que a chuva continue, mas se estiver a dizer a verdade, que a chuva pare quando uma pomba branca fizer um buraco à nuvem que se encontra por cima do Big Ben.
Então, felizmente, deixaram os animais na loja e sai de lá uma pomba branca. Ela voou tanto que foi até à nuvem que se encontrava no topo do Big Ben.
-Esta pomba, era o meu animalzinho de estimação, afinal devo um pedido de desculpas, e volto a pôr tudo como estava, e mais uma vez desculpa.
Então o brilho começa a desaparecer de Anna e Lady Oska e os outros dois sujeitos começam a ir para o mesmo sítio da pomba.
Alguns meses depois o meu irmão estava todo contente, todo vestido de branco. Eu vestido para um casamento, estava à espera de uma pessoa. Lá vem ela, com o seu véu, toda muito bonita.
-Pode beijar a noiva – afirma o padre.
E aí sim, com muito arroz por cima, está lá um grande beijo. O beijo e o casamento foram mesmo em frente do Big Ben.
Agora aqui estou eu, com cinco filhos, treze netos, enfim, com sessenta e tal anos, a escrever esta história e a acabar a de meu pai.

Sem comentários:

Enviar um comentário